O que é TEA?
O que é TEA ?
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e percebe o mundo ao seu redor. Não é uma doença, mas sim uma maneira diferente de funcionamento cerebral.
O termo “espectro” é usado porque o autismo pode se manifestar de diferentes formas e intensidades. Algumas pessoas apresentam dificuldades leves, enquanto outras necessitam de maior suporte no dia a dia. Apesar das diferenças, todas compartilham características comuns em três áreas principais:
Comunicação e linguagem (verbal e não verbal).
Interação social.
Comportamentos repetitivos ou interesses restritos.
Compreender o TEA como parte da diversidade humana é fundamental para promover respeito, acolhimento e inclusão.




Sinais Precoces
O TEA geralmente começa a se manifestar nos primeiros anos de vida, sendo mais evidente até os 3 anos. Identificar os sinais precoces pode fazer grande diferença, pois permite iniciar intervenções adequadas mais cedo.
Alguns sinais de alerta incluem:
Pouco ou nenhum contato visual.
Não responder ao ser chamado pelo nome.
Atraso ou ausência na fala.
Pouca iniciativa para compartilhar interesses ou interagir em brincadeiras.
Movimentos repetitivos, como balançar as mãos ou alinhar objetos.
Sensibilidade incomum a sons, luzes, cheiros ou texturas.
Vale lembrar que a presença de um ou mais sinais não confirma o diagnóstico. Somente profissionais de saúde especializados podem avaliar cada caso.
Diagnóstico TEA
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é clínico, feito por profissionais especializados a partir da história do desenvolvimento e da observação do comportamento. Não existe exame de sangue ou de imagem que “prove” o Autismo. Exames podem ser pedidos para investigar condições associadas ou descartar outras causas, mas não substituem a avaliação clínica. Quanto antes a avaliação acontecer, mais cedo começam as intervenções.
Na prática, costuma haver uma triagem inicial com sinais de alerta e, quando indicado, o diagnóstico é conduzido por equipe multiprofissional (neuropediatria/psiquiatria infantil, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional). O processo inclui entrevista com a família, análise de marcos do desenvolvimento, observação da comunicação e da interação social e uso de instrumentos padronizados que apoiam a decisão clínica (não são testes “positivo/negativo”).
Os critérios observados consideram dificuldades persistentes na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e interesses restritos, além de possíveis diferenças sensoriais. Também se avalia o impacto funcional desses sinais no dia a dia e desde quando estão presentes. É comum investigar sobreposições com outros quadros, como TDAH, transtorno do desenvolvimento da linguagem, deficiência intelectual ou ansiedade.
Exames complementares entram quando há indicação clínica: checagem de audição e visão, avaliação do sono, investigação de crises convulsivas e, em alguns casos, testes genéticos ou neurológicos. A necessidade é individual e definida pelo especialista.
Para a consulta, ajuda levar a caderneta com marcos do desenvolvimento, relatos da escola ou terapeutas e, se possível, vídeos curtos do comportamento em casa. Ao final, o profissional faz a devolutiva, define o nível de suporte e pode emitir um laudo que orienta o plano terapêutico, apoia o planejamento escolar e facilita o acesso a direitos.
Diagnóstico não é ponto final: as necessidades mudam ao longo da vida e reavaliações periódicas ajudam a ajustar metas e terapias. Buscar o diagnóstico não rotula a criança — abre portas para suporte qualificado. Com informação confiável e uma rede de apoio ativa, cada criança pode desenvolver habilidades, reduzir barreiras e ganhar autonomia.
TEA no Brasil: Dados / Estatísticas
Pela primeira vez, o Censo Demográfico 2022 trouxe um recorte específico sobre o AUTISMO. Segundo o IBGE, 2,4 milhões de pessoas no Brasil declararam ter diagnóstico de TEA, o que corresponde a 1,2% da população com 2 anos ou mais. A prevalência foi maior entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%). A faixa etária com maior proporção foi 5–9 anos (2,6%). Esses números foram divulgados em 23 de maio de 2025 e estão detalhados pelo MDHC e na Agência de Notícias do IBGE.
É importante entender como o dado foi coletado: no questionário amostral, o informante do domicílio indicava se algum morador tinha diagnóstico de autismo feito por profissional de saúde. Ou seja, trata-se de autorreporte de diagnóstico, não de um exame aplicado no Censo. Isso ajuda a explicar por que a taxa pode variar conforme acesso a serviços, informação e reconhecimento do diagnóstico.
Na educação básica, os registros administrativos também mostram crescimento de atendimento. De acordo com o Censo Escolar 2024 (Inep/MEC), as matrículas de estudantes com TEA subiram de 636.202 (2023) para 918.877 (2024) — um aumento de 44,4% em um ano. Esses números medem matrículas, não prevalência populacional, e refletem tanto maior identificação quanto expansão da inclusão escolar.
📌 Mas destes “quantos são Não Verbais”?
Não há estatística nacional oficial (IBGE/SUS) que separe a população autista por perfil de fala; o Censo 2022 não coletou essa informação. Como referência internacional, revisões científicas indicam que cerca de 25–30% das crianças com TEA permanecem minimamente verbais/não falantes após os 5 anos — um intervalo reportado de forma consistente em revisões e artigos recentes.
Fontes: IBGE (Censo 2022), MDHC (2025), MEC/Inep (Censo Escolar 2024) e literatura científica
Dados Oficiais no Brasil
